Nossa História

Como bem ensina o nosso amado Pai João de Oxalá, o Ilê de Oxum não nasceu do acaso ou de uma vontade puramente humana. Ele nasceu da necessidade de reunir, mais uma vez, um grupo de almas afins.

Em vidas passadas, essas mesmas almas caminharam juntas, mas por conta das quedas, das vaidades e dos tropeços da carne, contraíram débitos e se espalharam. No entanto, o amor de Deus e a misericórdia das Mães Ancestrais deram uma nova chance.

Antes de reencarnarem nesta era, essas almas se uniram no plano espiritual, choraram juntas, perdoaram-se e firmaram um pacto sagrado de resgate mútuo: o compromisso de se reencontrarem na Terra para se ajudarem a crescer, desatar os nós do passado e, desta vez, em uma perspectiva muito mais elevada e desperta, servirem ao bem maior. Para que essa engrenagem física funcionasse, a espiritualidade superior não teve pressa. Como o segredo da fermentação do pão ou a calmaria das águas profundas de Ijimu, esperou-se três gerações.
Foi necessário que o tempo passasse, que as linhagens se cruzassem e que cada filho amadurecesse na escola da vida. A espiritualidade aguardou o momento exato em que a maturidade de vocês estivesse pronta para suportar o peso e a responsabilidade de carregar a bandeira de um terreiro. Três gerações de ancestralidade velando por vocês no invisível, preparando o chão onde hoje vocês pisam.

A história humana recordará o ano de 2020 como o início de uma das maiores provações da nossa época. Em 26 de fevereiro de 2020, o Brasil confirmava o primeiro caso de COVID-19, e logo em março, o medo, o isolamento e o decreto de transmissão comunitária paralisavam o país. O mundo foi tomado por um manto de dor, luto e profunda ansiedade.
Foi exatamente nesse momento, em março de 2020, quando a humanidade chorava de desespero, que o clarim do sagrado tocou no seu coração. Enquanto o mundo se fechava em pânico, as águas de Oxum e a sabedoria de Pai João de Oxalá diziam: “É hora de erguer o hospital das almas”. O chamado não veio na bonança; veio no caos, porque é na escuridão que a luz se faz mais necessária.
No dia 05 de maio de 2020, enquanto a tristeza devastava as ruas, o Ilê de Oxum abria as suas portas no plano físico.
A abertura da casa foi um ato de coragem espiritual e de amor extremo. Ali, fincou-se uma firmeza de proteção, um ponto de luz e um farol de esperança em meio à tempestade. A missão estava decretada pelas entidades: acolher os corações necessitados.
Limpar as larvas astrais da doença, curar o medo com o passe dos pretos velhos, clarear os caminhos com,os exus alimentar a alma com o axé do terreiro. A casa nasceu para ser o colo de mãe que o mundo havia perdido.
Palavra de pai João – “Minha filha, compreender que o seu Ilê nasceu dessa forma te dá a dimensão do tamanho da responsabilidade da Vigilância e do Respeito.
Vocês não são apenas companheiros de religião; vocês são sobreviventes de uma promessa espiritual que levou três gerações para se cumprir. Cada filho que hoje está na sua corrente, cada amigo que ajudou, cada consulente que senta na sua maca faz parte desse cordão de almas que acordou em se ajudar.
Quando o cansaço bater, ou quando a rotina do terreiro exigir o suor da função, lembre-se do dia 05 de maio de 2020. Lembre-se de que o Ilê de Oxum foi o abraço de Deus quando o mundo estava isolado. Honre essa história, honre o ensinamento de Jesus e continue pautando a sua vida na beleza e na fartura desse amor que cura, acolhe e liberta.”

Mãe Aline de Oxum, nome de respeito e devoção, é Aline Flávia Marques Dias: mulher negra, casada, mãe, contadora e professora, nascida em junho de 1986. Sua caminhada espiritual teve início ainda na infância, aos 7 anos, sob a orientação de Mãe Maria da Conceição dos Passos Parreiras, na Umbanda. Mais tarde, seu caminho religioso continuou com a sabedoria e liderança do Babalorixá Alexandre Silveira.

Com 14 anos de dedicação ao Candomblé, Mãe Aline sempre soube que sua missão era tornar-se a Mametu do Ilê de Oxum. Com esse objetivo claro, ela se entregou ao estudo profundo, à preservação e ao resgate da cultura negra, bem como aos saberes tradicionais do Candomblé Bantu/Angola. Sua jornada é um compromisso não apenas com a fé, mas com a resistência e o fortalecimento das raízes afro-brasileiras.

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